A transição para frotas elétricas avança rapidamente no Brasil — BYD, Volvo, BMW e Haval já oferecem veículos elétricos competitivos para uso comercial. Mas muitas empresas chegam ao momento de instalar os carregadores sem nenhum planejamento elétrico prévio, e aí os custos e prazos explodem. Este guia mostra como fazer o planejamento correto desde o início.
Passo 1: levantar o inventário da frota
Antes de comprar qualquer carregador, é preciso saber com o que você está trabalhando:
- Quantos veículos precisam ser carregados por noite (ou por turno)
- Capacidade da bateria de cada modelo (kWh)
- Autonomia diária média de cada veículo (km percorridos por dia)
- Janela de carregamento disponível (quantas horas o veículo fica parado)
Com esses dados, calcula-se a potência mínima de carregamento necessária para recarregar cada veículo na janela disponível.
Passo 2: avaliar a infraestrutura elétrica existente
O maior erro no planejamento de infraestrutura EV é não verificar a capacidade do transformador e do quadro geral de distribuição antes de instalar os pontos de carregamento. Cada wallbox de 7,4 kW adiciona uma carga significativa ao sistema — e 10 wallboxes em paralelo representam 74 kW, o equivalente a um pequeno galpão inteiro.
A avaliação deve incluir:
- Capacidade do transformador (kVA disponível)
- Demanda contratada com a distribuidora (kW)
- Carga instalada atual (iluminação, equipamentos, climatização)
- Capacidade dos disjuntores do quadro geral
Passo 3: escolher o tipo de carregador
Existem três níveis de carregamento:
- Nível 1 (tomada comum 127/220V): 1,4 a 2,3 kW — adequado para carregamento residencial eventual, não recomendado para frotas
- Nível 2 (wallbox dedicado): 7,4 a 22 kW — padrão ideal para frotas com recarga noturna; bom equilíbrio entre velocidade e custo
- DC Fast Charge: 50 a 350 kW — para casos onde a janela de carregamento é curta ou a frota inclui veículos pesados
Passo 4: implementar gestão de carga
Em frotas com múltiplos pontos de carregamento, a gestão de carga (load management) é essencial para evitar ultrapassagem de demanda — que pode triplicar o valor da conta de energia. O sistema distribui a potência disponível entre os carregadores de forma inteligente, priorizando os veículos com menor carga e respeitando o limite contratado com a distribuidora.
O que a documentação técnica deve incluir
Para aprovação da concessionária e das seguradoras, a instalação precisa de:
- Projeto elétrico detalhado com cálculo de carga e dimensionamento de cabos
- ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do engenheiro responsável
- Memorial descritivo dos equipamentos instalados
- Laudo de aterramento e SPDA quando aplicável
Planejar a infraestrutura EV com antecedência evita custos imprevistos e garante que sua frota elétrica esteja operacional desde o primeiro dia. Entre em contato com a MBS para um dimensionamento gratuito.
